Os movimentos 4.0 e o impacto em nossas vidas

Estamos vivenciando o “boom” dos chamados movimentos 4.0. Também conhecida como a “quarta revolução industrial”, o termo indústria 4.0 surgiu na Alemanha, na Feira de Hannover de 2011, e engloba as principais inovações tecnológicas nos campos de automação, controle e tecnologia da informação aplicadas aos processos de manufatura. Na essência, busca diminuir riscos, otimizar processos, aumentar a produtividade e reduzir o dispêndio de toda e qualquer atividade humana, bem como reduzir o consumo de energia, entre outras possibilidades. Rapidamente, o tema foi absorvido por outros segmentos diferentes da indústria de manufatura, e Saúde 4.0; Marketing 4.0; Clínicas 4.0; Hospitais 4.0, e por aí afora, passaram a ser termos que estão se tornando usuais aos nossos ouvidos e visão, enfatizando o uso intensivo de tecnologia.

É inegável a força e o poder que as inovações tecnológicas possuem e atuam sobre as nossas vidas, bem como os desafios que temos em recebê-las, compreendê-las e aplica-las de modo efetivo, gerando benefícios individuais e coletivos. A IMS Research estima que, em 2020, existirão cerca de 22 bilhões de sistemas embarcados e outros dispositivos portáteis conectados à internet que produzirão mais de 2,5 quintilhões de bytes de dados novos a cada dia. Segundo a consultoria Gartner, entre 2014 e 2015, houve aumento de 30% no uso de aparelhos inteligentes, alcançando 4,9 milhões de dispositivos conectados no período, e esse número deve chegar a 23,4 milhões, em 2017, e 25 milhões, em 2020.

Essa revolução já viabiliza e continuará viabilizando inúmeros negócios. Temos consciência disso. É um verdadeiro ”caminho sem volta”. Não há como “retroceder”, todavia, julgamos importante uma contínua reflexão sobre as questões abaixo:

1.    Tecnologia e inteligência artificial, pressupõe inteligência humana. Como anda a capacitação das pessoas neste sentido? Temos gente preparada para obter bons resultados das tecnologias emergentes? Temos programas de educação para formar de maneira rápida e eficiente as pessoas que farão frente a estas inovações?

2.    Tecnologia e inteligência artificial, como regra, demanda poucas pessoas. Remunera melhor a estas poucas pessoas, o que contribui de forma direta para a desigualdade de renda e por consequência social. O quer fazer com os chamados “órfãos da tecnologia”? Com pessoas sem trabalho, reduz o potencial de renda disponível, e por consequência o tamanho e dinamismo do mercado. Que mercado queremos?

3.    Tecnologia e inteligência artificial, permite agrupar volumes expressivos de informações e utilizá-los em conformidade com parâmetros estabelecidos. Temos governança suficiente para assegurar a privacidade das informações? Utilizá-las de forma ética? Não permitir que pessoas inescrupulosas possam utilizá-las adequadamente?

Como empresários e executivos, certamente já devemos ter “pensado” sobre estas e outras questões relevantes que a tecnologia impacta em nossas vidas, para o bem e para o mal. Nosso proposito com esta breve reflexão (na verdade é quase que uma provocação), não é negá-la, tão pouco contestá-la, mas estimulá-los a pensar de forma sistêmica e positiva. Temos utilizado adequadamente os recursos tecnológicos á nossa disposição? Nos negócios, na vida pessoal e comunitária?

Vejam como exemplo, o caso dos aparelhos celulares e smartphones. Ao mesmo tempo em que os utilizamos para o bem, realizando as mais diversas transações bancarias, comerciais, e outras formas de comunicação, o fazemos para o mal, ao utilizarmos durante o tempo em estamos dirigindo os nossos veículos, ou para divulgar notícias falsas “fake News”. Dados divulgados recentemente snos dão conta de que uma das principais causas dos acidentes com automóveis, é a desatenção do condutor por estar usando o aparelho celular enquanto dirige.

Aqui em nosso time, firmamos um “pacto” de que ninguém usará o telefone celular para falar enquanto estiver dirigindo. Pode ser pouco, mas será um exemplo que poderá ser seguido. E voce, o que pensa sobre isso? Que comportamento tem adotado?

Reflita e tome a decisão que lhe parecer mais adequada!

Tenha uma ótima semana.

Forte abraço!

Raimundo Sousa

Empresário, mentor e consultor de negócios